segunda-feira, 1 de maio de 2017

Boxtrol e Últimas Conversas



Por mais que tenha apenas quatro filmes no currículo, já é possível notar qual é o perfil da produtora Laika Entertainment: o tom sombrio em histórias feitas para crianças. Assim foi feito em A Noiva-Cadáver, Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman e também em Os Boxtrolls, nova investida do estúdio que ainda tenta se firmar entre os gigantes da animação em Hollywood – leia-se Pixar, DreamWorks, Blue Sky e Aardman. Um caminho que, curiosamente, tem agradado mais o público adulto do que propriamente o infantil.
Os Boxtrolls - FotoBaseado no livro “Here Be Monsters!’, de Alan Snow, Os Boxtrolls acompanha a saga das simpáticas criaturas que vivem nos esgotos da cidade de Ponte Queijo. Eles vestem caixotes típicos de supermercado e adotam como nome as palavras que estão escritas na própria embalagem que usam, adoram vermes e seres gosmentos e têm por hábito vasculhar o lixo dos humanos madrugada adentro. Não espere explicações sobre a existência destes seres, pois o filme não as fornece – talvez em uma sequência? Fato é que os humanos, assustados como eles só, morrem de medo dos boxtrolls e se trancafiam em casa tão logo ouvem algum barulho estranho. Todos menos Archibald Snatcher, que deseja capturá-los. Todos.
É neste contexto que está o patinho feio chamado Ovo. Um garoto comum, criado desde bebê pelos boxtrolls, que se considera um deles por mais que seja bem diferente. Quando seu tutor Peixe é capturado por Snatcher, ele decide se arriscar na superfície durante o dia para salvá-lo. É quando conhece a mimada Winnie, que resolve ajudá-lo nem que seja para convencê-lo de que é tão humano quanto ela. Só que tem um detalhe: Winnie vive em plena aristocracia, com todo o requinte e trejeitos típicos de tal ambiente. É claro que, vindo do esgoto, Ovo enfrenta problemas ao lidar com este tipo de gente.
Os Boxtrolls - FotoA bem da verdade, Os Boxtrolls parte de uma premissa muito parecida com a de A Noiva-Cadáver: se no filme de Tim Burton os mortos eram mais vivos do que as pessoas que ainda não tinham falecido, aqui os “monstruosos” boxtrolls são muito mais amáveis do que os humanos, que assumem posturas típicas de monstros ao valorizar gestuais e caprichos em detrimento das pessoas. A diferença é que o universo contraditório divertido e rico em criatividade não se repete neste novo filme, cujas analogias em certos casos são mais indicadas a um público um pouco mais adulto, capaz de identificar questões relacionadas às diferenças nas classes sociais. Além disto, Os Boxtrolls é um filme bastante escuro e, em certos momentos, sombrio – o que também pode afastar os menores.
Apesar dos percalços, ainda assim trata-se de um filme interessante e que diverte. Especialmente o vilão dublado por Ben Kingsley, com sua característica voz imponente, que apresenta uma faceta inusitada. Fora o fato de que a animação em massinha (ou stop motion, como é chamada oficialmente) traz um charme todo especial, não apenas pela qualidade da animação, mas pela própria dificuldade em produzi-la. Algo que pode ser conferido nos pós-créditos do próprio filme, com a exibição de um interessante making of sobre a cidade de Ponte Queijo. Vale a pena aguardar.
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-222333/criticas-adorocinema/







Últimas Conversas é um filme documentário brasileiro, lançado em 7 de maio de 2015, distribuído pela Vídeo Filmes e dirigido por Eduardo Coutinho.
O cineasta Eduardo Coutinho entrevista diversos alunos da rede pública do Rio de Janeiro, perguntando sobre suas vidas, seus sonhos e o que almejam para o futuro.
O documentário foi o último dirigido pelo cineasta brasileiro Eduardo Coutinho e começa com o próprio diretor, sentado em uma cadeira, relatando suas frustrações em relação a obra que estava criando. Diferente da maioria dos filmes do diretor, onde só é possível ouvir a voz do cineasta, em Últimas Conversas, Coutinho aparece em vídeo e explica sua aflição perante seus jovens entrevistados. Possivelmente, esta não seria uma opção do documentarista, porém, o documentário não pôde ser montado por ele, devido ao seu trágico falecimento, esta função ficou a cargo de Jordana Berg, montadora e parceira de Eduardo desde 1995, que conseguiu transformar o cineasta em uma personagem de seu próprio filme. O longa-metragem é o décimo quarto da carreira do premiado diretor e foi exibido na vigésima edição do "É Tudo Verdade", festival de documentários, onde estreou nos dias 10 e 11 de Abril de 2015.
Cineasta brasileiro, nascido em São Paulo no dia 11 de Maio de 1933, foi um dos mais premiados e respeitados documentaristas do país. Suas principais obras foram os filmes Cabra Marcado Para MorrerEdifício MasterSanto ForteAs Canções e Peões. Foi morto aos 80 anos em 02 de Fevereiro de 2014 a facadas. Por essa razão, o projeto de "Últimas Conversas" ficou sob o comando de João Moreira Salles, diretor, produtor e colaborador de Eduardo Coutinho durante sua trajetória.
Foram realizadas aproximadamente 30 entrevistas de 250 adolescentes pesquisados[5]. Eduardo Coutinho trata de assuntos como racismo, religião, bullying e problemas familiares. Entre as diversas entrevistas, algumas jovens se emocionam e acabam chorando ou passando por um real processo de reflexão consigo mesmo. Em alguns momentos, Eduardo Coutinho pode ser visto como um psicólogo dos jovens que vêem ele como um senhor respeitado em quem eles podem confiar para contar seus dramas e externar suas opiniões. Apesar do cineasta aparecer no começo do longa reclamando da falta de naturalidade de seus entrevistados, não é isso que vemos ao longo do filme. A maioria dos jovens assumem não acreditar em Deus, outros frequentam a igreja e seguem todas as orientações impostas pela igreja, A maioria dos adolescentes possuem os pais separados e já sofreram algum tipo de bullying no colégio, seja por conta de sua raça ou devido aos padrões de beleza impostos pela sociedade. Muitos costumam escrever poesias, normalmente em seus diários pessoais. Em determinado momento no filme, Eduardo Coutinho reclama dizendo que seus entrevistados não costumam levar as poesias para ele.


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