Por mais que tenha
apenas quatro filmes no currículo, já é possível notar qual é o perfil da
produtora Laika Entertainment: o tom sombrio em histórias feitas para crianças.
Assim foi feito em A Noiva-Cadáver, Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman e
também em Os Boxtrolls, nova investida do estúdio que ainda tenta se firmar
entre os gigantes da animação em Hollywood – leia-se Pixar, DreamWorks, Blue
Sky e Aardman. Um caminho que, curiosamente, tem agradado mais o público adulto
do que propriamente o infantil.
Os Boxtrolls -
FotoBaseado no livro “Here Be Monsters!’, de Alan Snow, Os Boxtrolls acompanha
a saga das simpáticas criaturas que vivem nos esgotos da cidade de Ponte
Queijo. Eles vestem caixotes típicos de supermercado e adotam como nome as
palavras que estão escritas na própria embalagem que usam, adoram vermes e
seres gosmentos e têm por hábito vasculhar o lixo dos humanos madrugada
adentro. Não espere explicações sobre a existência destes seres, pois o filme
não as fornece – talvez em uma sequência? Fato é que os humanos, assustados
como eles só, morrem de medo dos boxtrolls e se trancafiam em casa tão logo
ouvem algum barulho estranho. Todos menos Archibald Snatcher, que deseja
capturá-los. Todos.
É neste contexto que
está o patinho feio chamado Ovo. Um garoto comum, criado desde bebê pelos
boxtrolls, que se considera um deles por mais que seja bem diferente. Quando
seu tutor Peixe é capturado por Snatcher, ele decide se arriscar na superfície
durante o dia para salvá-lo. É quando conhece a mimada Winnie, que resolve
ajudá-lo nem que seja para convencê-lo de que é tão humano quanto ela. Só que
tem um detalhe: Winnie vive em plena aristocracia, com todo o requinte e
trejeitos típicos de tal ambiente. É claro que, vindo do esgoto, Ovo enfrenta
problemas ao lidar com este tipo de gente.
Os Boxtrolls - FotoA
bem da verdade, Os Boxtrolls parte de uma premissa muito parecida com a de A
Noiva-Cadáver: se no filme de Tim Burton os mortos eram mais vivos do que as
pessoas que ainda não tinham falecido, aqui os “monstruosos” boxtrolls são
muito mais amáveis do que os humanos, que assumem posturas típicas de monstros
ao valorizar gestuais e caprichos em detrimento das pessoas. A diferença é que
o universo contraditório divertido e rico em criatividade não se repete neste
novo filme, cujas analogias em certos casos são mais indicadas a um público um
pouco mais adulto, capaz de identificar questões relacionadas às diferenças nas
classes sociais. Além disto, Os Boxtrolls é um filme bastante escuro e, em
certos momentos, sombrio – o que também pode afastar os menores.
Apesar dos percalços,
ainda assim trata-se de um filme interessante e que diverte. Especialmente o
vilão dublado por Ben Kingsley, com sua característica voz imponente, que
apresenta uma faceta inusitada. Fora o fato de que a animação em massinha (ou
stop motion, como é chamada oficialmente) traz um charme todo especial, não apenas
pela qualidade da animação, mas pela própria dificuldade em produzi-la. Algo
que pode ser conferido nos pós-créditos do próprio filme, com a exibição de um
interessante making of sobre a cidade de Ponte Queijo. Vale a pena aguardar.
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-222333/criticas-adorocinema/
Últimas
Conversas é um filme documentário brasileiro, lançado em 7 de maio de 2015, distribuído pela Vídeo
Filmes e dirigido por Eduardo Coutinho.
O cineasta Eduardo Coutinho entrevista diversos alunos da rede pública do Rio de
Janeiro, perguntando sobre suas vidas, seus sonhos e o que almejam para o
futuro.
O documentário foi o
último dirigido pelo cineasta brasileiro Eduardo Coutinho e começa com o
próprio diretor, sentado em uma cadeira, relatando suas frustrações em relação
a obra que estava criando. Diferente da maioria dos filmes do diretor, onde só
é possível ouvir a voz do cineasta, em Últimas Conversas, Coutinho aparece em
vídeo e explica sua aflição perante seus jovens entrevistados. Possivelmente,
esta não seria uma opção do documentarista, porém, o documentário não pôde ser
montado por ele, devido ao seu trágico falecimento, esta função ficou a cargo
de Jordana Berg, montadora e parceira de Eduardo desde 1995, que conseguiu
transformar o cineasta em uma personagem de seu próprio filme. O longa-metragem
é o décimo quarto da carreira do premiado diretor e foi exibido na vigésima
edição do "É Tudo Verdade", festival de documentários, onde estreou nos dias 10 e 11 de Abril de 2015.
Cineasta brasileiro,
nascido em São Paulo no dia 11 de Maio de 1933, foi um dos mais premiados e
respeitados documentaristas do país. Suas principais obras foram os
filmes Cabra
Marcado Para Morrer, Edifício Master, Santo Forte, As Canções e Peões. Foi morto aos 80 anos em 02 de Fevereiro de 2014 a
facadas. Por essa razão, o projeto de "Últimas Conversas" ficou sob o
comando de João Moreira Salles, diretor, produtor e colaborador de Eduardo Coutinho
durante sua trajetória.
Foram realizadas aproximadamente
30 entrevistas de 250 adolescentes pesquisados[5]. Eduardo Coutinho trata de assuntos como racismo,
religião, bullying e problemas familiares. Entre as diversas entrevistas,
algumas jovens se emocionam e acabam chorando ou passando por um real processo
de reflexão consigo mesmo. Em alguns momentos, Eduardo Coutinho pode ser visto
como um psicólogo dos jovens que vêem ele como um senhor respeitado em quem eles
podem confiar para contar seus dramas e externar suas opiniões. Apesar do
cineasta aparecer no começo do longa reclamando da falta de naturalidade de
seus entrevistados, não é isso que vemos ao longo do filme. A maioria dos
jovens assumem não acreditar em Deus, outros frequentam a igreja e seguem todas
as orientações impostas pela igreja, A maioria dos adolescentes possuem os pais
separados e já sofreram algum tipo de bullying no colégio, seja por conta de
sua raça ou devido aos padrões de beleza impostos pela sociedade. Muitos
costumam escrever poesias, normalmente em seus diários pessoais. Em determinado
momento no filme, Eduardo Coutinho reclama dizendo que seus entrevistados não
costumam levar as poesias para ele.




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