Elena é um filme
brasileiro de 2012, dirigido por Petra Costa e produzido pela Busca Vida Filmes. É
um documentário baseado na vida da atriz Elena Andrade, irmã mais velha de
Petra. Foi premiado em diversos festivais ao redor do mundo e aclamado
pela crítica, considerado uma experiência única no cinema contemporâneo, por
extrair de um tema difícil - o suicídio da irmã da diretora Petra Costa - sua
força poética e cinematográfica. Em 2014, ganhou publicação em livro pela
Arquipélago Editorial: "Elena - O livro do filme de Petra Costa". A obra traz o
roteiro do filme, de autoria de Petra Costa e Carolina Ziskind, depoimentos,
ensaios fotográficos, imagens de arquivo e entrevista com a diretora.
Em 2014, o filme
também foi pré-selecionado para indicação ao Oscar 2015 na categoria de Melhor
Documentário, na 87ª edição da cerimônia.
Elena viaja para Nova
York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma
infância passada na clandestinidade durante a ditadura militar e uma
adolescência vivida entre peças de teatro e filmes caseiros. Também deixa
Petra, sua irmã de 7 anos. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz
e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas: fitas de vídeo,
recortes de jornais, diários e cartas. A qualquer momento, Petra espera
encontrar Elena andando pelas ruas. Aos poucos, os traços das duas se
confundem. Já não se sabe quem é uma e quem é a outra.
A despedida veio na
forma de um presente singelo: uma concha. “Quando você sentir saudade, encoste
a concha no seu ouvido e assim a gente pode se falar”, disse a irmã, Elena, 13
anos mais velha. Petra, de apenas 7, escutaria muitas vezes aquela concha nas
semanas seguintes. Meses, anos, duas décadas se passaram. Petra já era atriz e cineasta
quando voltou a Nova York à procura de Elena, decidida a filmar a saudade.
Elena é um filme sobre
a persistência dessas lembranças, a irreversibilidade da perda, o impacto
causado na menina de 7 anos pela ausência da irmã, a quem Petra chama de sua
“memória inconsolável”. “Pouco a pouco, as dores viram água, viram memória”,
diz a diretora, a um só tempo atriz e personagem.
Elena é, também, um
filme sobre a aventura de crescer, uma história de três mulheres que dialoga
com temas como família e maternidade, dor e superação. É, ainda, um filme sobre
o Brasil pós-ditadura militar, sobre a geração que nasceu clandestina e cresceu
entre os anos 1970 e 1980, com o desafio de batalhar por seus sonhos em tempos
de abertura e esperança.
A ideia de fazer um
filme sobre a irmã surgiu quando a diretora Petra Costa tinha 17 anos e
encontrou, em casa, um antigo diário de Elena, escrito quando ela tinha a mesma
idade, 13 anos antes. "Tive a estranha sensação de estar lendo palavras
minhas, como se aquele diário fosse meu", diz Petra. A identificação foi
enorme. Na mesma época, a leitura de Hamlet e a descoberta de Ofélia também serviram de inspiração, bem como assistir ao
filme Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodansky - que, entre outros assuntos, trata do rito de
passagem da vida adulta, embora do ponto de vista dos rapazes. O projeto do
filme permaneceu em banho-maria por dez anos, sendo elaborado pouco a pouco.
Durante esse tempo, Petra se envolveu em outros trabalhos, dirigiu o premiado
curta Olhos de Ressaca, até finalmente se sentir preparada para mergulhar nas memórias
da irmã.
Petra encontrou cerca
de 50 horas de filmes caseiros feitos pela irmã, das quais ao menos 20 horas
haviam sido gravadas no ano em que ela, Petra, nasceu. Foi quando Elena, aos 13
anos, ganhou sua primeira câmera. Em seguida, Petra entrevistou cerca de 50
familiares e amigos de Elena, totalizando algo em torno de 200 horas de
material. Quando foi a Nova York, levou consigo uma agenda de telefone com os
antigos contatos da irmã e pôs-se a procurar todas as pessoas que estavam ali,
uma por uma, buscando os nomes na internet e nas redes sociais. O longa
finalmente começou a tomar corpo e a ganhar o aspecto definitivo quando a
diretora decidiu inserir-se na cena, como personagem e documentarista, gravando
também seu percurso e estruturando o roteiro em parceria com Carolina Ziskind.
Além de Nova York e
São Paulo, algumas cenas de Elena foram rodadas na Bahia e também em
Barra do Una, no município de São Sebastião, no litoral paulista. Foram dois
anos e meio de produção até a première no 45º Festival de Brasília, em setembro de 2012, onde Elena ganhou
os prêmios de melhor direção, direção de arte, montagem e melhor filme segundo
o júri popular, todos na categoria documentário.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Elena_(filme)


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